A política de abrandar leis e libertar criminosos
tornou nosso país o campeão mundial absoluto
em número de homicídios, ultrapassando inclusive
os países que estão em guerra.
A decisão de presentear com a liberdade um homicida
traz conseqüências seríssimas à sociedade,
que receberá de volta às ruas com criminoso
com alto poder letal, além de disseminar a consciência
da impunidade, incentivando outros interessados a ingressar
no crime. A pena máxima no Brasil é 30 anos,
entretanto,condenar uma pessoa a 30 anos de prisão
por ter tirado a vida de outra é muito pouco, uma vez
que a vida ceifada tem um preço impagável. Entretanto,
condenar homicidas a cumprirem apenas 3 a 5 anos de pena por
terem tirado a vida de pessoas que não tiveram direito
à defesa, julgamento, culpa ou motivo para terem suas
vidas arrancadas por motivos ínumeras vezes torpes,
como objetos materiais ou mortes gratuitas é banalizar
a vida e incentivar o crime.
A progressão da pena para crimes hediondos já
traz conseqüências que foram sentidas por pessoas
que não tiveram participação neste hedionda
decisão: inocentes que já foram mortos por assassinos
presenteados com a liberdade. Crianças que encontram
pedófilos que aproveitam-se da liberdade concedida
para destruir estas novas vidas, quando não totalmente,
tirando-lhes a vida. A
menina Laís foi uma delas. A decisão do STF teve
conseqüencias diretas em sua vida: seu assassino recebeu
o direito à semi-liberdade, concedido ao criminoso
que cumpria pena por atentado violento ao pudor, após
o abrandamento da Lei dos Crimes Hediondos.
Por isso somos TOTALMENTE CONTRA A PROGRESSÃO
DA PENA PARA CRIMES HEDIONDOS. A responsabilidade
do Legislativo e do Ministério da Justiça para
com a VIDA de seres humanos precisa ser prioridade! Priorizar
o esvaziamento das cadeias ou o bem-estar de homicidas, latrocidas
e estupradores acima do DIREITO À VIDA e integridade
física dos demais seres humanos é uma irresponsabilidade
tão hedionda quanto os crimes cometiedos pelos condenados.
A idéia descabida de que o tempo de pena não
diminui a criminalidade não é comprovada se
analisarmos os dados de países mais desenvolvidos e
com taxas de homicídios infinitamente menores. Em 1982,
o Estado da Califórnia (EUA) aprovou condenações
mais longas para homicídios, estupros, assaltos a mão
armada e roubos a residências e lojas. Em 3 anos, a
criminalidade no Estado caiu 8%. Em sete anos, chegou a 20%.
Os Estados Unidos reduziu os índices de crimes principalmente
pelo aumento do encarceramento. Estudos promovidos pela Justec
Research (EUA) feitos nas décadas de 70 e 80 indicou
que para cada criminoso atrás das grades, cerca de
17 novos crimes são evitados.
Lembrando que os índices de reincidência criminal
são altíssimos (70%) no Brasil, a manutenção
do condenado em regime fechado assegura a sobrevivência
das pessoas dos lado de fora dos presídios. Isto sem
mencionar que a paz pode ser devolvida aos familiares vitimados
pela violência, que descobrem que precisam continuar
a viver em uma nação que considera seus mortos
como mera estatística e a libertação
irresponsável de assassinos uma medida altruística
e legítima.
As vítimas de crimes hediondos perdem seu bem maior:
o direito à vida. Os sobreviventes destes crimes, incluindo
os familiares diretamente ligados à vitima, têm
seqüelas permanentes. Dados levantados pelo sociólogo
Gláucio Soares demonstram que as seqüelas deixadas
nos sobreviventes da violência são a ausência
de perspectivas no futuro, lembranças constantes do
fato, depressão, mudanças de comportamento e
medo constante.
Podemos assegurar que a ausência de compromisso da
legislação e da justiça para com os familiares
das vítimas são o golpe fatal na credibilidade
da segurança e nas representações do
Governo. Ao culpado, existem milhares de mecanismos de defesa,
entre eles a redução de penas, indultos, estudo
universitário gratuito, auxílio-reclusão
pago pelo INSS, tratamento médico e odontológico
gratuito, acesso ao estudo e lazer, visitas íntimas,
entre outros, enquanto as vítimas precisam recomeçar
suas vidas completamente sozinhas, sem apoio, incentivo ou
direitos, nem mesmo a Justiça. Apesar da Segurança
Pública e do Direito à Vida serem cláusulas
pétreas constitucionais, este direito é aviltado
a cada 12 minutos no Brasil, deixando para trás famílias
destruídas, familiares perdidos e nenhum apoio vindo
de instituições governamentais. Cabe à
família vitimada enterrar seus mortos e aguardar a
libertação do assassino, como prova cabal da
total falência do sentido de importância da vida
humana em nossa sociedade.
Uma vida humana vale hoje, em média, três anos
na vida de um homicida. É por isso que o crime compensa
no Brasil.
Nas palavras do criminalista Antonio Scarance Fernandes,
professor de Processo Penal da USP, em entrevista à
Veja: "O Sistema penal brasileiro não gera credibilidade.
O bandido adquire a certeza da própria impunidade e
se sente estimulado a continuar praticando crimes".
E nas palavras de uma vítima, a novelista Glória
Perez - que conseguiu um milhão e trezentas mil assinaturas
para endurecer a lei, ao incluir o homicídio qualificado
na Lei dos Crimes Hediondos, após ter a filha Daniella
Perez assassinada - sintetizou de forma clara o sentimento
das pessoas que compreenderam o real significado do abrandamento
da Lei dos Crimes Hediondos: "Estamos em liquidação".
Decisão do STF abranda a Lei de Crimes Hediondos
- O Supremo Tribunal Federal abrandou ontem a pena para crimes
hediondos ao conceder hábeas-corpus a um pastor condenado
por pedofilia, garantindo-lhe o direito de requerer a progressão
de regime (cumprir o restante da pena em regime semi-aberto
ou em casa). A decisão abre precedente para que outros
presos condenados por crimes hediondos, como o traficante
Fernandinho Beira-Mar e o ex-deputado Hildebrando Pascoal,
possam requerer o benefício, que era vetado pela Lei
de Crimes Hediondos de 1990.
Até então, condenados por esse tipo de crime
eram obrigados a cumprir a pena integralmente em regime fechado.
Os seis ministros do STF que votaram pelo abrandamento consideraram
que a lei em vigor fere o princípio da individualização
da pena, que garante a análise de cada caso separadamente.
O Ministério da Justiça e juristas aprovaram
a decisão. A novelista Glória Perez, que liderou
movimento pela aprovação da lei, criticou duramente:
"É a desvalorização da vida."
(pág. 1 e 3)
Notícias sobre a decisão:
STF abranda Lei dos Crimes Hediondos
Notícias
Editorial - O STF e os Crimes Hediondos
O
Estado de S. Paulo
"Brasil é campeão mundial em homicídios:
45 mil por ano"
Por ano, são registrados 45 mil homicídios no
País. A afirmação foi feita pelo coordenador-residente
da ONU no Brasil, Carlos Lopes, em audiência pública
ocorrida nesta terça-feira, na Comissão de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional.
Ele confirmou os termos do artigo publicado no jornal Folha
de S. Paulo no dia 6/11/03 em que afirma que a prática
de assassinatos e execuções sumárias
tem uma dimensão preocupante no País. "A
probabilidade de um assassino ser condenado e cumprir pena
até o fim no Brasil é de apenas 1%", informou.
Carlos Lopes afirmou também que o Brasil tem cerca
de 3% da população mundial e registra 12% dos
homicídios que acontecem no planeta.
Em 20 anos, a taxa de homicídios cresceu 230% em São
Paulo e no Rio de Janeiro. Nesse período, mais de dois
milhões de pessoas morreram por causas violentas -
homicídio, suicídio, acidentes e outras causas
não naturais - no País, segundo a pesquisa Síntese
dos Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), divulgada em abril de 2004.
MONTFORT Associação Cultural
Online, 13/09/2006 às 12:53h
www.montfort.org.br
"O Brasil continua no topo do ranking de homicídios
no mundo"
Matéria
O Brasil continua no topo do ranking de homicídios
no mundo. Pelos cálculos do sociólogo Gláucio
Soares, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas
do Rio de Janeiro (Iuperj), o número de mortes resultantes
desse tipo de crime já supera 50 mil por ano.
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